Home Care: os direitos das pessoas acamadas e o que o plano de saúde é obrigado a fornecer

Home Care: os direitos das pessoas acamadas e o que o plano de saúde é obrigado a fornecer

Quando um familiar está acamado, a rotina da casa muda completamente. A família passa a se dividir entre tarefas, cuidados de saúde e, muitas vezes, o medo constante de algo dar errado. O que muita gente ainda não sabe é que existe um direito pouco divulgado que pode transformar essa realidade: o atendimento domiciliar, também chamado de home care.

Neste artigo, você vai entender o que é o home care, quem tem direito, o que deve ser oferecido e como agir se o plano de saúde ou o SUS negarem esse tipo de assistência.

O que é home care

Home care é o nome dado ao atendimento médico realizado na casa do paciente. Ele funciona como uma extensão da internação hospitalar, oferecendo estrutura, equipamentos e equipe de saúde dentro do ambiente familiar.

Esse modelo é indicado quando o paciente não precisa mais estar no hospital, mas ainda exige cuidados contínuos, acompanhamento profissional, uso de insumos hospitalares e supervisão especializada.

Quem tem direito ao home care

Qualquer paciente que, por recomendação médica, necessite de cuidados contínuos e não consiga se recuperar de forma segura sem esse suporte tem direito ao home care. Isso inclui, por exemplo:

  • pessoas em pós-operatório grave
  • pacientes com doenças degenerativas como Alzheimer ou Parkinson
  • pessoas com sequelas de AVC
  • pacientes com câncer em estágio avançado
  • idosos com mobilidade reduzida
  • qualquer pessoa que esteja acamada e dependa de suporte profissional

É importante destacar que o ponto mais relevante é a recomendação médica. O direito nasce a partir da prescrição do profissional que acompanha o paciente.

O que deve ser oferecido no home care

Se o paciente tem indicação médica para internação domiciliar, o plano de saúde (ou o SUS, em alguns casos) deve fornecer toda a estrutura necessária para garantir os cuidados que ele teria em um hospital. Isso inclui:

  • enfermeiros e técnicos de enfermagem
  • visitas médicas regulares
  • equipamentos como cama hospitalar, colchão especial, oxigênio, sondas, bombas de infusão e aspiradores
  • medicamentos e dietas enterais ou parenterais
  • fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia e outros profissionais de apoio
  • insumos como fraldas, luvas, gazes, seringas, entre outros

Tudo isso deve ser custeado pelo plano de saúde, sem cobrança adicional para a família, desde que haja prescrição médica.

O que fazer se o plano de saúde negar o home care

Negativas são infelizmente comuns. Os argumentos mais frequentes são de que o plano contratado não cobre esse tipo de serviço, que a internação domiciliar não é necessária ou que só pode ser oferecida por tempo limitado. Nenhuma dessas justificativas se sustenta legalmente.

Negar um tratamento necessário com base em cláusulas genéricas do contrato é prática considerada abusiva. O Código de Defesa do Consumidor protege o paciente contra esse tipo de recusa e o Poder Judiciário tem reconhecido com frequência o direito ao home care sempre que há prescrição médica.

Como garantir o home care de forma segura

  1. Peça ao médico que acompanha o paciente um laudo completo, indicando a necessidade do home care e especificando os cuidados necessários
  2. Protocole esse laudo junto ao plano de saúde ou, no caso do SUS, na Secretaria de Saúde do município
  3. Registre por escrito qualquer resposta negativa
  4. Busque apoio jurídico especializado para acionar o plano e garantir o atendimento, inclusive com liminar em casos urgentes

O home care é um direito que protege a saúde, a segurança e a dignidade do paciente acamado. Também alivia a sobrecarga emocional e física de familiares que, muitas vezes, assumem funções para as quais não têm preparo.

Se você vive essa realidade e não está recebendo o suporte necessário, é possível agir. O paciente não precisa estar internado no hospital para ter atendimento completo. Com prescrição médica, o atendimento em casa é um direito e não um privilégio.

No site do escritório você encontra informações claras sobre como funciona o home care, quais são os direitos do paciente e como buscar esse serviço de forma segura e legal.

Amanda Leandro

Analista Jurídico na Emanuelle Coltrin Advocacia. Bacharel em Direito na Universidade Paulista. Pós Graduada em Direito e Processo Previdenciário. MBA em Direito do trabalho e previdenciário com foco em acidente de trabalho. Experiência na área previdenciária e em Cálculos Previdenciários. Expertise na área de contratos empresariais.

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